Amador versus “profissional”.

Quando eu tinha trinta e oito anos de idade (Agora tenho 68.) passei por uma grande paixão e quando aquela gatinha me abandonou entrei em profundo estado de depressão que me conduziu a parar de trabalhar e a comer demais.

Isso me levou a pouco mais de 120 quilos onde permaneci mais ou menos por um ano.

Como havia parado de trabalhar, devido ao desespero da paixão, consumi minhas economias ao longo desse ano e passado esse tempo tendo esgotado minhas reservas financeiras tive que voltar a trabalhar e iniciei minha luta contra o peso.

Nessa luta tentei o que me parecia tudo que poderia fazer.

Mas embora tenha pensado que tentava o suficiente e tenha tentado muita coisa, não era absolutamente tudo.

Mesmo assim tive alguns progressos e emagreci alguns quilos.

Mas eu queria mais, muito mais, queria retornar ao peso que eu tinha aos dezoito anos, ou seja, não alcancei o peso que eu desejava.

Foi então que eu li uma frase (Não me lembro se era do Millôr Fernandes.) que dizia: “Noé que era um amador construiu a arca e saiu-se bem, os profissionais construíram o Titanic e ele naufragou.”

Aquilo ficou na minha cabeça de gordo.

Eu estava indo aos profissionais, estava consultando nutricionistas e endocrinologistas e não conseguia emagrecer.

Eu queria desesperadamente emagrecer e fazia tudo que eles me mandavam e só emagrecia alguns quilos.

Estava na hora do amador assumir o comando, ou seja – eu.

A meu ver eu tinha que assumir a responsabilidade por meu emagrecimento de uma forma mais pessoal, não era suficiente seguir o que os profissionais me diziam, eu o amador, me conhecia melhor do que eles.

Mas como fazer isso?

Eu sabia o que eu queria fazer (emagrecer), mas não sabia o como fazer isso.

Foi então que lendo o livro Marketing de Guerra do Al Ryes e do Jack Trout encontrei outra frase que tinha a resposta que eu precisava.

Eles diziam mais ou menos assim:

“A galinha está envolvida em fornecer os ovos, mas o porco esta comprometido em fornecer o bacon.”

A princípio essa frase me chocou um pouco.

Para fornecer os ovos a galinha tinha apenas que botá-los, mas para fornecer o bacon o porco tinha que morrer.

Depois da enésima tentativa de seguir os profissionais conseguindo apenas emagrecimentos medíocres, caiu a ficha e entendi aquela frase.

A galinha estava “envolvida” com os ovos porque não tinha comprometimento algum, mas o porco estava comprometido com o bacon porque ele tinha que morrer para que o bacon fosse obtido.

Entendi o que estava me faltando!

Eu precisava me comprometer mais, muito mais, me comprometer absolutamente.

E o que significava essa coisa de me comprometer absolutamente?

Eu iria emagrecer ou morrer tentando!

A frase dos escritores Al Ryes e Jack Trout que lançaram o Marketing de Guerra nos anos 80 e que menciona que a galinha está envolvida com a produção de ovos e que o porco está comprometido com o fornecimento do bacon é talvez a melhor frase para fazer você perceber a profunda dimensão do comprometimento.

Não basta se envolver é preciso se comprometer e isso implica em chegar lá ou morrer tentando.

Realmente quando você gera comprometimento dá o passo decisivo em direção a uma transformação radical em sua vida.

Hoje, muitos anos depois, percebo que essa é a única maneira de emagrecer, tem que haver comprometimento!

As nutricionistas me diziam que eu tinha, como homem adulto, que ingerir pelo menos 2500 calorias por dia para permanecer magro e saudável, mas como eu anotava tudo o que comia, eu sabia que quando eu passava de mil calorias eu engordava e ficava cada vez menos saudável.

Hoje sei que as calorias não importam, pois não é o quanto você come que engorda você é o que você come.

Naquele tempo eu engordava ao passar das mil calorias, mas não era pela quantidade de calorias que eu consumia que me engordava, eu engordava porque eu ainda consumia carboidratos.

Mas mesmo ainda não tendo descoberto isso desisti do acompanhamento médico e de procurar as nutricionistas percebi que teria que assumir a total responsabilidade por meu peso, não bastava entregar essa tarefa aos profissionais que me assessoravam e que, com seus conselhos e orientação, mesmo que muito carinhosos e bem explicados, não conseguiam me fazer emagrecer.

Então percebi que eu o amador, como Noé, tinha que resolver o assunto.

Resolvi vestir a carapuça e o fiz tão completamente que ela foi até meus tornozelos.

Assumi que tinha que me comprometer e que em uma escala de comprometimento de zero a 10 deveria optar pelo 11.

E foi o que fiz.

Na época morando no Rio fui a todos os sebos que consegui encontrar (ainda não havia a internet e tudo tinha que ser movido a feijão, andando a pé mesmo), fui a dezenas de sebos e comprei todos os livros de emagrecimento que pude encontrar.

Enchi pelo menos três prateleiras de minhas estantes.

Li muito e fiz novas tentativas.

As nutricionistas me aconselhavam a me pesar apenas uma vez por semana.

Comprei uma balança ergométrica e passei a me pesar todos os dias contrariando o conselho das nutricionistas e só então percebi que o que me engordava eram os desatinos nos fins de semana, pois relaxava minha disciplina.

Aprendi também que a palavra disciplina vinha do latim “disciplinare” que significa “ensinar algo a si mesmo”.

Eu me esforcei mais, importei livros e conheci dietas que eram atacadas pelos médicos brasileiros que desconheciam a grande verdade que não é o número de calorias que engorda, não é o quanto você come que o engorda é o que você come.

Com os novos conhecimentos e muita disciplina (Não é preciso força de vontade, apenas disciplina.) cheguei ao platô de 80 quilos, mas não consegui passar daí.

Então me lembrei de uma frase do Mickey Mouse: “Sou um homem ou um rato?”,  isso reforçou minha decisão e me fez recordar que o único comprometimento real é aquele em que você diz a si mesmo que  “Ou faço ou morro tentando.”

Pois é, me dediquei como um líder – o capitão do navio –, pois os muitos esforços que eu estava fazendo ainda era uma atitude de pessoa comum – os marujos – que fazem parte da tripulação do navio – já que não era absolutamente tudo que poderia ser feito.

Cheguei então sem querer à dieta paleo (Que eu ainda não sabia o que era.).

Li o livro QUANDO EU ERA VIVO do Medeiros e Albuquerque e descobri que ele tinha uma doença que não lhe permitia comer nada além de ovos.

Descobri também que ele chegava a se alimentar com duas dúzias de ovos por dia, o que contrariava tudo que os médicos brasileiros ensinavam sobre o colesterol.

Ele viveu mais do que seus conterrâneos da mesma época e enterrou todos os médicos que trataram dele.

Comecei a pesquisar sobre os ovos e descobri que ele é o segundo melhor alimento do mundo depois do leite materno e que havia alguns médicos esclarecidos que defendiam sua ingestão e passei a comer apenas ovos e folhas. Isso me tirou do platô onde eu havia estacionado, mas não resolveu.

Desde esse momento passei por muitas peripécias, recorri à dieta cetogênica, aos jejuns prolongados que hoje em dia são chamados de jejuns intermitentes.

E finalmente encontrei o caminho que ensino a você em meu método.

Finalmente rompi a barreira dos oitenta quilos tendo alcançado os 67,5 quilos que eu pesava aos dezoito anos.

EMAGRECI NO TOTAL 53 QUILOS.

Considerando que minha mulher pesa 43 quilos eu a perdi e mais dez quilos de lambuja.

Recorrendo aos “profissionais” e a seus conselhos emagreci apenas um bocadinho e imaginei que estava fazendo absolutamente tudo, mas não estava.

Assumindo a responsabilidade e procurando os meios que dependiam exclusivamente de mim, o amador, consegui alcançar meu objetivo e aprendi o sentido da disciplina e do comprometimento.

Hoje sei que você não precisa comer apenas ovos, há milhares de opções a seu dispor na Dieta Paleo Simplificada, o que é preciso é comer comida de verdade.

A finalidade de ter lhe contado essa história não é por causa da dieta, o que espero que você aprenda é a se comprometer com os resultados que você está buscando, esse comprometimento é metade da caminhada.

Quando você se compromete o resultado, o sucesso, vem mais rápido.

Sem o comprometimento talvez você nunca chegue lá.

E isso é fácil de fazer é só ter disciplina por um curto período de tempo e não venha com essa de que você não tem força de vontade.

Ninguém precisa de força de vontade, basta ensinar algo a si mesmo e é isso que a palavra disciplina significa em latim.

Motivação é só isso: ter um motivo para a ação.

Ter um motivo para agir.

Se você tem um motivo dedique-se para valer (Com comprometimento.) e em três tempos você chega às suas metas, seja alcançar o peso que deseja (Mais rápido do que pensa.), seja conquistar estabilidade financeira, seja comprar uma casa ou seu carro, seja fazer a viagem dos seus sonhos, seja curar-se de uma moléstia que todo mundo considera incurável, seja encontrar um relacionamento gratificante, seja emagrecer, seja o que for.

Primeiro criamos nossos hábitos depois nossos hábitos nos criam, tudo não passa de uma questão de disciplina mental e como já vimos, disciplina é ensinar algo a si mesmo, portanto, disciplina mental é ensinar à sua mente em que pensar para alcançar o que você deseja.